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TV Brasil exibe mostra de filmes sobre a Revolução Russa

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Para lembrar o centenário da revolução que abalou, e ainda abala, o mundo, a emissora exibe 11 filmes selecionados sobre o período. O primeiro, “Encouraçado Potemkin”, vai ao ar no domingo (15), às 23h

A Revolução Russa completa 100 anos em 2017. O período que levou o Partido Bolchevique, de Vladimir Lênin, ao derrubar o regime dos czares, o último deles Nicolau II (1894-1917), será lembrado durante este mês pela TV Brasil. A emissora pública exibe, a partir do dia 15, a mostra Outubro Soviético. Serão 11 obras clássicas exibidas diariamente às 23h.

O primeiro filme a ser exibido será uma das obras mais clássicas sobre o levante dos trabalhadores. No próximo domingo (15), o Encouraçado Potemkin (1925), do diretor Serguei Eisenstein, retoma os primeiros levantes que desencadearam a Revolução de 1917. No centro da obra, uma revolta de trabalhadores em 1905 que, explorados a bordo de um navio, mobilizaram-se contra as péssimas condições, inclusive sanitárias.

“A Revolução Russa não só ‘abalou o mundo’, no título do célebre livro de John Reed (10 dias que abalaram o mundo, 1919), ela mudou o mundo de um modo irreversível, em que pese a ulterior dissolução da União Soviética”, afirma o professor de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP) Osvaldo Coggiola. “Cem anos depois, a Revolução de Outubro continua a abalar o mundo”, completa.

Para o professor, “o destino e contradições da revolução soviética foram o ponto nodal de todos os grandes embates políticos e bélicos do século 20. Depois de 1991, a restauração do capital nos países e regiões onde fora expropriado foi apressadamente proclamada como o início de uma outra era, em que a dominação tranquila e inconteste do capital se projetava para a eternidade, mas pouco durou essa ilusão”.

O debate sobre o sistema de produção e modo de acumulação e exploração do trabalho pelo capital, diferentemente do que se pensava após o fim da União Soviética, e, em oposição ao que previu o autor Francis Fukuyama em sua teoria sobre O Fim da História, continua em xeque. Momentos de crises econômicas recentes revelam a importância de tais questionamentos.

“Em 1997, a partir da Ásia, uma crise abalou os alicerces da ordem mundial. O reingresso de regiões enormes e de bilhões de seres humanos ao mercado capitalista aguçou todas suas contradições, a começar pela sobreprodução de mercadorias e a sobreacumulação de capitais, levando ao terremoto financeiro que assolou e assola o planeta a partir de 2008”, explica o professor.

Tal atualidade mostra a relevância dos seletos filmes que serão exibidos pela TV Brasil. Como explica Coggiola, as ideias da Revolução Russa “saíram do museu ao qual tinha sido precipitadamente confinada, junto com Karl Marx, para voltar às ruas de um mundo abalado”.

Programação
Domingo (15): O Encouraçado Potemkin (1925), de Eisenstein

Segunda-feira (16): O Conto do Czar Saltan (1966), de Aleksander Ptushko

Terça-feira (17): Vassa (1983), de Gleb Panfilov

Quarta-feira (18): A Mãe (1989), de Gleb Panfilov

Quinta-feira (19): Boris Godunov (1986), de Sergei Bondarchuk

Sexta-feira (20): Um Acidente de Caça (1978), de Emil Loteanu

Sábado (21): Arsenal (1929), de Aleksandr Dovzhenko

Domingo (22): O Velho e o Novo (1929), de Eisenstein

Segunda-feira (23): As Aventuras Extraordinárias de Mr. West no País dos Bolcheviques (1924), de Lev Kuleshov

Terça-feira (24): Cossacos de Kuban (1949), de Ivan Pyryev

Quarta-feira (25): Lênin em Outubro (1937), de Mikhail Romm

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