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Lula é a esperança necessária

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O esforço para lançar a candidatura de Lula, hoje, em Belo Horizonte, merece apoio do país inteiro. Trata-se, essencialmente, de impedir um descarado golpe preventivo contra a vontade popular.

Há mais de uma década nossas instituições democráticas se encontram sob ataque permanente da coalização grande mídia-judiciário — e já não é difícil perceber que o país está próximo de atingir uma situação-limite.

Mais do que uma campanha eleitoral própria das democracias, em junho de 2018 os brasileiros e brasileiras assistem ao vôo incessante de candidaturas de rapina, sem lastro real, próprias de aventureiros em busca de oportunidades e vantagens sob os escombros de um regime de liberdades, direitos sociais e respeito à cidadania que já foi motivo de orgulho para todo Hemisfério Sul.

Condenado depois de provar sua inocência através de documentos, ao fim de uma perseguição implacável, a campanha de Lula é a esperança necessária numa situação grave como poucas vezes se viu na história brasileira.

Expressa um reconhecimento popular único numa nação lendária pela desigualdade, pela exclusão dos pobres e pela opressão dos mais fracos.

Àqueles que ameaçam desanimar diante de tanta injustiça, brutalidade e covardia, não custa recordar o mais importante.

Alimentada exclusivamente pela arma mais nobre da politica — a consciência de um povo frequentemente acusado de não ter memória — a candidatura Lula representa o caminho mais simples e racional para o Brasil voltar a ser um país que respeita a vontade das maiorias e não desistiu de construir um futuro melhor para filhos e netos.

Diante do espetáculo de contínua destruição de reputações, que agora atinge Fernando Henrique Cardoso, uma das referências fundadoras da Nova República que sucedeu a ditadura dos generais, é difícil negar que a presença de Lula na campanha de 2018 representa uma chance à democracia e ao país.

Truculência inaceitável, a tentativa de impedir sua presença nas urnas de 2018 marca não só uma afronta aos direitos e garantias previstas na Constituição cidadã de 2018 — a começar pela presunção da inocência.

Do ponto de vista político, nada mais é do que uma tentativa de retomar uma história vergonhosa e nociva para o país.

Entre ditadores e presidentes eleitos, nossa República acumulou um conjunto maligno de tutelas autoritárias sempre a espreita para oprimir a vontade popular por medidas de força.

Entre 36 governantes empossados em 129 anos, apenas a metade foi eleita diretamente. Entre os 18 escolhidos em urna, doze conseguiram terminar o mandato e seis foram depostos, dois por impeachment, os demais por golpes de Estado. A partir de 1946, quando as eleições perderam o caráter elitista da República Velha para ganhar uma participação popular crescente, que desde 1988 até inclui a autorização ao voto dos analfabetos, ocorreu uma mudança sintomática.

A reação anti-democrática, contra a vontade das urnas, agora menos desejáveis do ponto de vista dos grandes interesses estabelecidos, tornou-se mais presente. Entre oito cidadãos eleitos, quatro não puderam completar o mandato até o fim.

Numa nação historicamente exausta por golpes de Estado e intervenções autoritárias, é sempre bom lembrar que não há alternativa fora da democracia — que segue sendo um regime menos ruim do que todos os outros.

Neste horizonte, a campanha de Lula é o motivo para o cidadão ir a rua para lutar por seus direitos e reivindicações.

Alguma dúvida?

Paulo Moreira Leite é colunista do 247, ocupou postos executivos na VEJA e na Época, foi correspondente na França e nos EUA

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