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É necessário derrotar o Projeto da dupla Bolsonaro-Rede Globo

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Estamos muito iludidos achando que vamos mobilizar o povão a partir das declarações autoritárias da família Bolsonaro.

Não vamos conseguir levar o povo para as ruas para lutar contra o “anúncio” de um novo AI-5. Aliás, Bolsonaro foi eleito, dentre outros, justamente por conta de seu caráter autoritário e das inúmeras declarações desumanas dos últimos anos.

Outra ilusão é achar que a aparente guerra entre Bolsonaro e a Globo pode enfraquecer o projeto neoliberal. Doce ilusão.

A Folha de São Paulo, a Globo, a Veja e toda esta turma são os grandes defensores do projeto econômico que Bolsonaro representa e vão fazer de tudo — de tudo mesmo — para defender a agenda econômica de Paulo Guedes/Bolsonaro.

Digo mais: no limite, apoiariam, inclusive, medidas autoritárias e anti-democráticas. Os representantes do capital estão pouco se lixando para o autoritarismo e desumanidade desta quadrilha que está no poder, o que eles querem é defender o interesse dos que ganham grana com as privatizações, reforma da previdência e sucateamento dos serviços públicos.

A disputa entre a Globo e Bolsonaro é apenas para saber quem conduzirá a agenda de destruição neoliberal a partir de 2023. A Globo, ao lado de neoliberais com verniz democrático, e Bolsonaro com seu neoliberalismo à la Pinochet oferecem uma falsa dicotomia onde, independente do vencedor, o povo que sairá perdendo.

Chamar o povo às ruas para resistir às declarações de Eduardo Bolsonaro sobre a possibilidade de volta do AI-5 pode até ser necessário, mas é totalmente insuficiente. O povo não sabe o que é AI-5. Mas o povo sabe — e sente a cada momento — o que é desemprego, miséria, fome, sucateamento da saúde pública e violência urbana.

O povo padece com o desemprego, miséria e fome. Mas não sabe o porquê. Como alertou Gramsci, uma companhia de soldados é capaz de jejuar por muitos dias se souber que os víveres não podem chegar por motivo de força maior, mas se amotinaria se uma só refeição não fosse servida por desleixo.

Enquanto as massas identificarem a crise como uma herança maldita e as reformas neoliberais como o necessário remédio amargo, a condição de miséria permanecerá naturalizada e estaremos fadados ao fracasso, perdidos em meio a falsas dicotomias.

É preciso deixar claro para a população que a agenda econômica Globo-Bolsonaro é a raiz de todos os males. É na luta contra o desemprego e precarização dos serviços públicos que voltaremos a dialogar com o povo e só então poderemos alterar a correlação de forças para, finalmente, abrirmos caminhos para a resistência contra as tendências autoritárias deste governo.

David Deccache

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