Com o argumento de que os radares móveis favorecem a ideia de indústria das multas, o prefeito Paulo Serra (PSDB) assinou nesta terça-feira (10), portaria que autoriza retirar os radares móveis que operava em 171 pontos do município

Chega a ser deprimente o prefeito que governa pelas Lives do Facebook fazer populismo com uma situação desta. Criticar a suposta “indústria da multa” virou moda, mas por que mais multas significariam algo errado?

A Resolução n.º 396/2011 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) é que determina como deve ser feita a fiscalização eletrônica nas vias brasileiras. Como sabemos, as multas de trânsito são destinadas para Fundo Municipal de Transporte e Trânsito (Lei nº 7.542, de 10 de outubro de 1997) que tem por objetivos o financiamento de programas de educação e segurança para o trânsito, aquisição de material permanente, de consumo e de outros insumos necessários para a implantação, manutenção, fiscalização, policiamento, engenharia de tráfego e operação do sistema viário.

O jornal Diário do Grande ABC que comemorou a medida em editorial, noticiou no dia 8 de junho de 2015 que o Município de Santo André registrou 9.617 acidentes no ano de 2013 e 9.034 acidentes no ano de 2014. Dados do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência de Santo André – SAMU – de 2016 demonstra que das causas externas atendidas por este serviço, de 75 a 85% dos casos são politraumas, totalizando 7.276 atendimentos no ano, sem considerar os atendimentos realizados pelos bombeiros e os que vão por meio próprio.

Recentemente, foi aprovado Lei que destina 30% (trinta por cento) dos recursos do Fundo Municipal de Trânsito à Unidade de Urgência e Emergência da Secretaria de Saúde do Município de Santo André. Desde o início do ano, a gestão municipal do prefeito Paulo Serra aplicou 41.867 infrações de trânsito e arrecadou R$22 milhões com infrações de trânsito, sendo que 27% desse valor é oriundo dos equipamentos não fixos.

Portanto, ao invés de acabar com os instrumentos de fiscalização da velocidade dos infratores, o prefeito deveria aplicar a lei e utilizar os recursos para as verdadeiras mazelas do trânsito em nossa cidade. A matéria prima da “indústria da multa” é justamente a falta de educação do motorista.

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.