Heróis inspirados em orixás vão virar história em quadrinho

Após financiamento coletivo bem sucedido, artista baiano irá lançar HQs com personagens

Hugo Canuto, nascido na Bahia em 1986, é um ilustrador freelancer e artista conceitual, ou seja, desenvolve arte para projetar ideias. Ele ganhou notoriedade em 2016 após seu projeto de homenagem à Jack Kirby e à religião iorubá viralizar na internet e ir parar nos jornais. A premissa? Heróis afro-brasileiros inspirados em orixás.

Jack Kirby é o criador, ao lado de Stan Lee, de “Os Vingadores”. O grupo de heróis integra o universo dos quadrinhos (e atualmente do cinema) da Marvel Comics. Entre eles, há guerreiros, deuses e mortais com habilidades especiais que alimentam a imaginação de centenas de crianças e adultos até hoje.

A outra fonte de inspiração de Canuto para criar “The Orixás” é a mitologia iorubá, de origem principalmente nigeriana. No Brasil, a religião Iorubá é muito popular na Bahia, onde nasceu o ilustrador. No resto do país, os iorubás, também chamados de nagôs, são os descendentes de escravos trazidos para o Brasil durante o regime escravocrata.

Os iorubás creem na criação das divindades pelo deus supremo Olorum, que fez dos ancestrais do povo nagô nigeriano divindades que no Brasil são conhecidas como orixás. É da mitologia iorubá, popular principalmente na Bahia, que surgem os heróis de Canuto e que tiveram suas histórias financiadas por 816 pessoas em uma campanha no Catarse que atingiu 337% do valor necessário para a produção das histórias em quadrinhos baseadas nas capas conceituais feitas pelo artista.

Homenagem virou HQ
O artista já planejava trabalhar com a criação de histórias influenciadas por culturas do continente africano desde 2013, mas apenas três anos depois, quando decidiu homenagear Jack Kirby, que ele decidiu seguir com o plano.

Em 2016, inspirado em capas clássicas dos “Vingadores”, Canuto desenhou capas com super-heróis que, na verdade, são orixás iorubás. Seus poderes são a manifestação da sua divindade.

Com o sucesso da arte na internet, Hugo Canuto ganhou notoriedade ao conceder entrevistas para jornais. Ao “O Globo”, o artista disse que gostaria de fazer diferente do que costuma ser criado em histórias em quadrinhos. Ele explicou que tomou cuidado extra para que não viesse a ofender ninguém.

“Sei que algumas pessoas demonizam e atacam a cultura afro-brasileira. Mas, como artista, não posso deixar de realizar esse trabalho por conta de visões exclusivas da realidade”
Hugo Canuto
Em entrevista para o Jornal “O Globo”

Os orixás que viraram heróis

OBÁ
É uma orixá guerreira, veste vermelho e branco. Usa espada, escudo e arco e flecha. É a orixá do rio Níger. Das águas agitadas. Ela também é uma das esposas de Xangô.

OXUMARÉ
Senhor da chuva e do arco-íris. É o orixá da riqueza e da fortuna, bem como da atividade, das mobilizações que movem tudo.

IANSÃ
A Orixá dos ventos e tempestades, trovões e relâmpagos. Os iorubá costumam pedir a Iansã ou Oyá, como também é conhecida, que apazigue a tempestade a caminho. Ela é o vento antes da tormenta.

XANGÔ
O orixá dos raios e trovões. Equivalente a Thor, da mitologia nórdica. Ele é um justiceiro que não perdoa a mentira e a traição. Xangô é o único orixá que tem algum poder sobre os mortos.


OXÓSSI
O orixá caçador. Conhecido por sua astúcia e generosidade, é um amante das artes e de tudo que é belo. É a divindade de tudo que é positivo.


YEMANJÁ
A senhora dos mares e da água. Tem papel primordial na criação do mundo humano. É companheira de Olokun, também divindade do mar.

ELEGBÁ
Mais conhecido como Exu, é o senhor do destino. Elegbá e Exu são irmãos, mas costumam se fundir. É o orixá guardião das casas e vilas, da comunicação e de tudo que é criado pelos humanos.

ÒGÚM
É a divindade da guerra e da tecnologia. Lorde do ferro e das ferramentas. Ele é um dos principais orixás vindos de Orun (o céu).

OXUM
A orixá que governa a água doce dos rios e as cachoeiras. Senhora da beleza e do amor.

OSSAÍM
O curandeiro. Senhor das ervas medicinais e da folha sagrada, utilizada para fazer o Abô, mistura de folhas sagradas utilizada durante a feitura de santo, que é o rito de iniciação de uma pessoa no culto aos Orixás.

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