Medicina para todos: quais são os caminhos para ingressar no curso?

Segundo estudos realizados pelo CFM (Conselho Federal de Medicina), há, atualmente, 353 escolas de medicina espalhadas pelo país, sendo que, entre 2011 e 2021, 173 novas foram abertas em instituições privadas. O curso é um dos mais concorridos entre os estudantes que estão saindo da educação básica, contudo, o interesse pelo curso é demonstrado, cada vez mais, por pessoas de diversas faixas etárias.

Os desafios para o ingresso desses estudantes no curso de medicina vão desde o processo de preparação para as provas até aos preços elevados das mensalidades das universidades privadas. Por outro lado, a criação de novas universidades privadas possibilitou que muitas pessoas obtivessem a aprovação, visto que, antes, a forma de ingresso mais comum era por meio de vestibulares tradicionais ou pela prova do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio).

Tendo em vista o nível de dificuldade dos processos seletivos, a preparação dos estudantes até a tão sonhada aprovação e as diversas possibilidades de ingresso no curso, o professor Thiago Carvalho, Professor de ciências naturais e idealizador do projeto da plataforma META MED, conta como foi a sua preparação para as provas e quais foram as estratégias indispensáveis que fez o seu nome sair quinze vezes na lista dos aprovados.

Traçar estratégias e ter bons direcionamentos, segundo o professor, foram as principais atitudes que o fizeram chegar ao seu objetivo. Após realizar e conhecer diversos processos seletivos, Thiago desenvolveu um método de estudo que o fez obter maior desempenho nas provas. A partir desse momento, percebeu que poderia ajudar mais pessoas na realização desse sonho e decidiu compartilhar informações nas redes sociais. De acordo com o professor, a criação da plataforma partiu da ideia de democratizar o conhecimento sobre as diversas possibilidades de ingresso no curso de medicina, principalmente nas instituições privadas, por não haver muitos cursos preparatórios específicos para essas. “A procura pelas universidades privadas vem aumentando e, consequentemente, a concorrência também. Contudo, percebi que muitos desses alunos não sabem fazer a preparação adequada”, afirma Thiago.

A proposta principal é fazer com que os alunos se preparem de forma especifica, acessível e conheçam as diversas maneiras de ingresso como, por exemplo, o processo seletivo de transferência  que é voltado para o ingresso de alunos de outras Instituições de ensino superior, para continuidade do mesmo curso de graduação plena e mesmo grau ao qual estavam vinculados, devidamente reconhecidos pelo CNE (Conselho Nacional de Educação), e o processo seletivo de portador de diploma em outro curso de Graduação da mesma área do título superior.

Ambos os processos são oportunidades para que muitos vestibulandos tenham a possibilidade de conseguir o tão sonhado curso, tanto em universidades privadas, quanto em universidade públicas. Segundo Thiago, as provas dos processos seletivos de portador de diploma e transferência podem ser realizadas através das seguintes modalidades: análise curricular, prova de conhecimentos específicos da área da saúde do nível superior, prova com o conteúdo programático do próprio vestibular e, por fim, através da nota do ENEM.

De acordo com o professor Thiago, existem muitas outras formas de ingresso e boa parte é desconhecida por muitos. Para os alunos que têm melhores condições financeiras, o ENEM é uma ótima oportunidade para conseguir vagas em instituições privadas, apenas utilizando a nota como forma de ingresso.  Por outro lado, existem algumas faculdades, como a UnirG (Universidade de Gurupi) e a UniRV (Universidade de Rio Verde), que possuem PPP (Parcerias Público-Privadas) que possibilitam que muitos desses estudantes, que não têm condições para arcar com altos custos mensais, possam começar o curso com preços mais acessíveis.

Através do ENEM, também, muitos estudantes podem tentar o ProUni (Programa Universidade para Todos) que oferece bolsas de estudos parciais (50%) e integrais (100%) a estudantes de baixa renda em faculdades privadas. Para concorrer a essa modalidade, os alunos precisam ter cursado o ensino médio completo na rede pública, ter sido bolsista integral em escolas particulares durante todo o ensino médio, ter alguma deficiência ou ser professor da rede pública de ensino, na educação básica.

Outra opção que é muito recorrente entre os candidatos, segundo Thiago, é o FIES (Financiamento Estudantil) que foi criado com o objetivo de ajudar muitos brasileiros que têm baixo poder aquisitivo a pagarem a mensalidade de faculdades particulares. Os cálculos do financiamento levam em consideração a renda familiar e o comprometimento dessa renda com a mensalidade do curso. Além do mais, muitas universidades, com o objetivo de facilitar o acesso de mais candidatos, possuem financiamentos próprios que são realizados através de parcerias com bancos privados da região o que, de acordo com o professor, torna o sonho de muitos em realidade.

Em síntese, a democratização de informações relacionadas às várias possibilidades de ingresso no ensino superior faz toda diferença nesse processo entre a preparação e a aprovação dos candidatos. O educador Anísio Teixeira, nesse sentido, exemplifica bem a importância da educação como um direito a ser garantido e democratizado afirmando que “Educação Não é Privilégio”. De acordo com Thiago, a ideia do projeto META MED é fruto, também, dessa concepção de Anísio e que um dos objetivos centrais é tornar públicas várias informações que, geralmente, não são abordadas e fazer com que os candidatos percebam que o sonho de ingressar no curso de medicina pode ser mais acessível do que imaginam.

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