Não há universidade sem autonomia e respeito à comunidade

“Como a vacina vai vencer a covid, a rede que pesquisa a cura vai vencer esse governo”, disse ex-ministro da Educação em ato pró nomeação de reitores eleitos

Não há universidade onde não há liberdade acadêmica e autonomia, onde docentes, estudantes e funcionários são desrespeitados, onde a pesquisa não é livre e o financiamento não é adequado. É o que disse o ex-ministro da Educação e ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, em ato virtual em defesa da nomeação dos reitores eleitos nas universidades federais brasileiras e contra a intervenção do governo Bolsonaro realizada na noite desta terça-feira (8). Em vez de nomear o reitor mais votado pela comunidade universitária, que aparece em primeiro lugar em uma lista tríplice, o presidente tem desrespeitado a autonomia universitária prevista na Constituição e empossado aliados, que sequer foram os mais votados.

O ato, com mais de três horas de duração, contou com a participação de reitores eleitos que não foram nomeados, professores, lideranças estudantis das universidades e dos institutos federais de educação tecnológica, representantes de associações de docentes e reitores e parlamentares de diversos partidos, entre outros. A manifestação integra a semana de luta pela revogação das nomeações de reitores interventores.

Ataque à universidade
O ex-ministro do governo Lula – que comandou a ampliação da rede federal de ensino de superior, com criação de novas universidades, especialmente no interior dos estados nordestinos, e de novos campi nas já existentes – disse que os ataques de Bolsonaro à universidade brasileira não serão bem sucedidos.

“Temos uma rede federal muito forte. A solução para a covid vai surgir logo por meio da ciência, inclusive daquela praticada nas instituições federais. Temos muitas universidades envolvidas na pesquisa. Da mesma forma que a ciência vai derrotar o vírus, a rede que patrocina a busca da cura e a vacina para a covid vai também derrotar esse governo autoritário.”

Haddad afirmou ainda que não há dúvidas de que a energia acumulada na universidade federal brasileira é suficiente para impor uma grande derrota ao autoritarismo do governo “truculento e covarde” que se aproveita da desmobilização trazida pela pandemia.

E que o próximo ano tem tudo para ser marcado por um novo tsunami em defesa da educação, como ocorreu em 2019, contra a ameaça de cortes orçamentários nas universidades. “Fomos aos milhões às ruas do Brasil inteiro para derrotar o governo ao fazer com que liberasse o orçamento de 2019. Não vai faltar energia em 2021. Todo brasileiro que ama esse país vai estar ao lado de vocês (reitores) para derrotarmos o governo Bolsonaro nessa afronta à ciência, à liberdade e às nossas instituições. O povo estará junto, porque o povo está representado nas universidades.”

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