O que está por trás do superávit comercial?

Segundo o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, a balança comercial de janeiro registrou um saldo positivo de US$ 2,725 bilhões, crescimento de 198% em relação ao mesmo mês do ano passado. Isto se deve ao resultado das exportações, que alcançaram US$ 14,911 bilhões e das importações, que registraram US$ 12,187 bilhões. O resultado de janeiro é o melhor para este mês desde 2006, quando a balança apresentou superávit de US$ 2,835 bilhões. Em janeiro do ano passado, o saldo comercial havia sido de US$ 915 milhões. Em uma ótica dos últimos doze meses, ou seja, no acumulado, a balança comercial apresenta superávit de US$ 49,514 bilhões. Nesta base, as exportações totalizaram US$ 188,933 bilhões e as importações, US$ 139,420 bilhões.

Em termos percentuais, em janeiro, as exportações registraram expansão de 20,6% sobre o mesmo mês de 2016. Já em relação a dezembro, houve uma queda de 6,5%. Quanto às importações, ocorreu crescimento de 7,3% sobre janeiro de 2016 e de 5,7% sobre dezembro. Em janeiro, o resultado se deve à recuperação do preço das commodities que aumentaram as exportações em 30%. Três tipos de commodities tiverem forte crescimento dos seus preços: soja em grão, minério de ferro e petróleo bruto. Semimanufaturados, embora em menor escala, também afetaram positivamente o resultado das exportações, com aumento de 27,5%. Destaque para o açúcar bruto, aço e semimanufaturados de ferro. Manufaturados ainda apresentam um resultado aquém dos setores citados, com crescimento de 7,4% em janeiro.

As importações revelam um cenário ainda bastante conturbado pela recessão. Isto porque embora em janeiro tenha crescido, se deram em setores de compras de bens intermediários (22,8%), combustíveis e lubrificantes (15,8%) e bens de consumo (2,8%). Já no setor de bens de capital houve uma forte retração de 40,1%. Há ampla capacidade ociosa na indústria, de forma que esta queda não revela um processo, por exemplo, de substituição de importações, mas sim de contração da indústria. Em suma, o resultado “positivo” da balança comercial ainda se dá pela forte retração das importações, fruto da recessão, e uma clara dependência do setor de commodities.

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