Revolução Russa: ‘Um dos acontecimentos mais espetaculares da história’

No mês em que a Revolução Bolchevique completa 100 anos, o neto de um dos nomes mais importantes do período, Leon Trotski, manda uma mensagem de celebração para o Congresso da CSP Conlutas

“Estamos celebrando o centenário de um dos acontecimentos mais extraordinários e espetaculares da história da humanidade: a Revolução Bolchevique de outubro de 1917.” As palavras são de Esteban Volkov, neto do revolucionário Leon Trotski, um dos maiores nomes a revolução, ao lado de Vladimir Lenin. “Talvez eu seja o único sobrevivente da família”, disse Volkov em um vídeo enviado para o 3º Congresso da CSP Conlutas, que se realiza até este domingo (15).

A saudação do químico aposentado e escritor Volkov, hoje com 91 anos, fez parte do segundo dia do congresso, que dedicou a tarde de sexta-feira (13) à Revolução Russa. “Em 1917, os oprimidos demonstraram em vasta área do planeta que, com a devida direção revolucionária, usando das armas ideológicas do marxismo, podem tomar em suas mãos os seus destinos, livres do julgo capitalista”, continuou Volkov.

Totsky é autor de vasta obra revolucionária, além de ter comandado o vitorioso Exército Vermelho da União Soviética. “Ele organizou e dirigiu o exército derrotando 21 invasores estrangeiros capitalistas, além do próprio exército czarista. Trotski foi essencial para o triunfo da revolução e para a defesa da ideologia após a morte de Lenin em 1924.”

“Ele foi a melhor testemunha do tsunami revolucionário. Sua obra pode restabelecer a verdade histórica. Os oprimidos devem tomar consciência de seu passado e enfrentar o futuro com confiança, coragem e sem fraquejar na luta revolucionária para alcançar um outro mundo possível.”

Volkov, que é autor de obras sobre a revolução e o desenvolvimento posterior da União Soviética até sua dissolução em 1991,não poupou críticas a Josef Stalin, que esteve à frente do Partido Comunista da União Soviética de 1922 até sua morte em 1953. “Stalin, lentamente, se apresentou como herdeiro de Lenin e deixou um mar de confusão e desorientação gerado pela monstruosa falsidade histórica da contrarrevolução”, afirma.

Trotski foi oposicionista do regime de Stalin, que o expulsou do partido em 1927 e, finalmente, do país em 1929. Mesmo longe, o revolucionário continuou escrevendo livros e periódicos críticos ao regime stalinista, o que o levou a ser declarado como “inimigo do povo”. Após o ditador soviético derramar um banho de sangue sobre a família de Trotski, finalmente, em 20 de agosto de 1940, Stalin consegue, em sua segunda tentativa direta, assassinar Trotski por meio do agente Ramón Mercader, que desferiu contra ele golpes de picareta em seu abrigo no México.

“Morro com a certeza inabalável do futuro comunista da humanidade”, disse Trotsky próximo de sua morte. “Toda essa sangrenta trama de Stalin foi com o propósito de estabelecer e consolidar seu expurgo e ilegítimo regime contrarrevolucionário de totalitarismo burocrático. Por isso é tão importante restabelecer a verdade histórica e deixar claro que o stalinismo é a antítese do comunismo e do socialismo, e vem sendo um dos maiores obstáculos”, afirmou Volkov.

Por fim, o neto do revolucionário Trotski reafirmou a importância do marxismo para a construção de uma sociedade mais justa. “Neste mundo cada vez mais voraz de exploração capitalista, o marxismo é a única arma que os explorados têm para se defenderem da lei da selva que nos rege e para construir outra sociedade que zele pelo bem-estar do ser humano e acabe com o sistema capitalista que serve apenas para saciar a cobiça sem limites de minorias privilegiadas que, em poucas mãos, monopolizam todos os bens e recursos do planeta.”

Além de Volkov, a historiadora feminista norte-americana Wendy Goldman também mandou uma mensagem para o congresso sobre a Revolução de Outubro. Wendy abordou o conteúdo progressista com que a revolução tratou a questão das mulheres. “Eles tiveram um dos programas mais radicais já vistos em respeito da emancipação das mulheres. Este programa ainda tem muita relevância”, disse.

“A ideia de mulheres emancipadas se baseou em três princípios básicos. O primeiro foi a ideia de amor livre, aonde nem o Estado nem qualquer religião poderia atuar sobre os relacionamentos livres das pessoas. Para concretizar essa visão, tiveram que mudar aspectos da vida material. O primeiro foi que as mulheres precisavam ter independência financeira e autonomia. O segundo princípio era a total socialização do trabalho. Tarefas típicas de mulheres na época passaram a ser remuneradas. Finalmente, em 1920, a União Soviética tornou-se o primeiro país do mundo a legalizar o aborto”, completou Wendy.

Com informações de Rede Brasil Atual

 

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