Sabotage, hip-hop, futebol. A Favela do Boqueirão nunca mais foi a mesma

Programa “Da Rua pra Rua” vai à Favela do Boqueirão, zona sul paulistana, contar histórias da comunidade que conviveu com o rapper Sabotage, morto em 2003

“Quem cresceu na periferia de qualquer cidade brasileira desde os anos 1990, já ouviu o som do Sabotage. E sabe da importância das rimas e da visão de mundo desse cara pra identidade de qualquer quebrada”, diz Kaneda Asfixia. Seu parceiro de condução do programa Da Rua pra Rua, Bux THB, emenda, como numa sequência de rap: “E é exatamente esse legado que o Sabotage Futebol Clube leva adiante quando veste a camisa. Um dos times mais respeitados da várzea aqui de São Paulo. É a família e a comunidade que vão contar um pouco dessa história pra gente”.

A dupla do Da Rua pra Rua – exibido às quintas-feiras, às 18h, na TVT, um capítulo documental sobre a vida nas periferias – cumpre bem o roteiro anunciado. A imersão na Favela do Boqueirão, na zona sul de São Paulo, traz o retrato da vida naquele fragmento da cidade. Situada num ponto equidistante entre as rodovias Imigrantes e Anchieta, no Jardim da Saúde, a favela abrigou em seus últimos anos de vida Mauro Mateus dos Santos, o rapper Sabotage. Sua filha Tamires Sabotage é uma das anfitriãs da dupla. “As lembranças que eu mais tenho do meu pai era dentro de casa, escrevendo. Era o que ele mais fazia (…)”, conta Tamires, descrevendo como a casa de dois cômodos vivia rodeada de amigos. No programa, ela mostra alguns talentos que herdou do pai e lapidou ao seu modo.

São Paulo – “Quem cresceu na periferia de qualquer cidade brasileira desde os anos 1990, já ouviu o som do Sabotage. E sabe da importância das rimas e da visão de mundo desse cara pra identidade de qualquer quebrada”, diz Kaneda Asfixia. Seu parceiro de condução do programa Da Rua pra Rua, Bux THB, emenda, como numa sequência de rap: “E é exatamente esse legado que o Sabotage Futebol Clube leva adiante quando veste a camisa. Um dos times mais respeitados da várzea aqui de São Paulo. É a família e a comunidade que vão contar um pouco dessa história pra gente”.

A dupla do Da Rua pra Rua – exibido às quintas-feiras, às 18h, na TVT, um capítulo documental sobre a vida nas periferias – cumpre bem o roteiro anunciado. A imersão na Favela do Boqueirão, na zona sul de São Paulo, traz o retrato da vida naquele fragmento da cidade. Situada num ponto equidistante entre as rodovias Imigrantes e Anchieta, no Jardim da Saúde, a favela abrigou em seus últimos anos de vida Mauro Mateus dos Santos, o rapper Sabotage. Sua filha Tamires Sabotage é uma das anfitriãs da dupla. “As lembranças que eu mais tenho do meu pai era dentro de casa, escrevendo. Era o que ele mais fazia (…)”, conta Tamires, descrevendo como a casa de dois cômodos vivia rodeada de amigos. No programa, ela mostra alguns talentos que herdou do pai e lapidou ao seu modo.

O músico Cleberton Click Clé, amigo que acompanhou a evolução artística e humana de Sabotage, também conta suas histórias e as da comunidade. Tendo ao fundo alguns dos troféus erguidos pelo Sabotage FC, o diretor do time Danilo também vai lembrar histórias esportivas, musicais e sociais do Boqueirão.

Clássico da várzea
O rapper Sabotage mudou-se para a Favela do Boqueirão em 2000, aos 26 anos, em busca de reescrever outras histórias, depois de passar boa parte da vida no Canão, favela da região do Brooklin Velho cercada de bairros ricos, nas proximidades do Aeroporto de Congonhas. Sabotage, que “ensinou” o “titã” Paulo Miklos sobre a vida marginal para seu papel no filme O Invasor (de Beto Brant, 2002), foi morto em 24 de janeiro de 2003. O crime ocorreu minutos depois de deixar sua mulher em um ponto de ônibus. E interrompeu o compromisso de contar sua história no Fórum Social Mundial, que ocorreria naquela semana em Porto Alegre.

“Era um cara de origem simples, que viu na música e na cultura hip-hop, uma forma de escapar do cotidiano violento. Que saiu do submundo da criminalidade para ganhar as telas do cinema nacional”, diz Kaneda Asfixia. O vídeo-documento sobre a Favela do Boqueirão traz ainda cenas eletrizantes de um clássico da várzea, Favela Heliópolis x Sabotage FC. Da Rua pra Rua registra, em pouco mais de 20 minutos, um universo periférico que merece ser conhecido e entendido por quem quer compreender a realidade das grandes cidades.

Por Paulo Donizetti de Souza, da RBA

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.