Senador mineiro se safa de denúncia, apesar de gravações de diálogos e de imagens de malas de dinheiro – “empréstimo” de R$ 2 milhões em dinheiro vivo. Para Lindbergh, decisão desmoraliza e prova seletividade da Casa

O Plenário do Senado decidiu, por 44 votos a 26, livrar Aécio Neves (PSDB-MG) da decisão da primeira turma do Supremo Tribunal Federal (STF) que, no último dia 26, o afastou do mandato e determinou seu recolhimento noturno. O tucano foi denunciado por corrupção passiva e obstrução de Justiça, com base nas delações premiadas da empresa J&F.

Aécio foi afastado em decorrência do inquérito em que foi denunciado por corrupção passiva. O senador foi gravado pedindo ao empresário Joesley Batista R$ 2 milhões, em troca de sua atuação política. O parlamentar tucano nega qualquer ato ilícito, afirmando que a quantia se refere a um empréstimo pessoal. Quarenta e quatro senadores – com voto em bloco do PMDB e do PSDB, além de PP, PRB, PR, PTC e Pros– acreditaram. Além de suspenso o afastamento, o senador tucano fica desobrigado de permanecer em casa durante as noites. Votaram pela manutenção do afastamento PT, PSB, PCdoB, PDT, Podemos, PSC e Rede. “Liberaram” suas bancadas DEM e PSD.

Para o líder do PT no Senado, Lindbergh Farias (RJ), a decisão da Casa foi um “descaramento”, resultado de um acordo de salvamento mútuo entre os principais partidos de sustentação a Michel Temer – também ele às voltas com apreciação de denúncias de corrupção, organização criminosa e obstrução de Justiça, em seu caso, pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. Nesta semana, o Parlamento brasileiro foi assolado pela informação prestada pelo doleiro Lúcio Funaro de que os votos a favor do impeachment de Dilma Rousseff, no ano passado, foram “comprados” por cerca de R$ 1 milhão.

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