Michel Temer assinou decreto perdoando até 60% das multas ambientais ainda não pagas.

Como todos os programas de anistia de multas feitos neste país, administrativas ou tributárias, adota-se uma linearidade que é obtusa e , sobretudo, imoral.

60% em uma multa de R$ 1 mil a um pequeno produtor que manejou mal seu sítio e desviou um rego d’água, não chega a ser um absurdo, desde que ele restaure, no possível, o erro que cometeu.

60% de multa de R$ 10 milhões em um megaempresário rural que devastou centenas ou milhares de hectares de mata, é outra, bem diferente.

Os ambientalistas sumiram.

Mas os ruralistas vão aparecer na votação que absolverá o presidente.

Marina Silva limitou-se a um tímido protesto no Facebook onde o mais interessante é sua – ou da sua assessoria – ao darwinismo: “O ambiente social e institucional do Brasil mudou e, como na seleção natural de Darwin, excluirá da sociedade e da política esses organismos inadaptados e inaptos para viver no ambiente da decência, da verdade, da legalidade e da democracia.”

A devastação, neste país, não vem do aproveitamento de sua riqueza agrícola e mineral, vem da forma com que é feita, porque esta forma é carente de direção estatal e , portanto, vinculada à lógica individual ou empresarial.

É ma ausência do Estado, como prova a anistia das multas, que se corrói a preservação ambiental, reproduzindo o “desvaste hoje, que a gente acerta depois” em benefício do ganho privado.

E os hipócritas do ambientalismo vêem numa estrada, numa represa, num projeto de benefício coletivo dano ao ambiente.

Frequentemente, são, sim, porque a vida humana moderna é devastadora em matéria de consumo de natureza. Mas ainda têm, pelo que são, algum nível de controle e mitigamento.

Mas a devastação no Brasil é empresarial.

E esta, como se vê desde sempre, tem na anistia de Temer só mais um de seus capítulos.

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