O corte no orçamento da UFABC (Universidade Federal do ABC) neste ano, que alcança 20% no custeio e 34% no investimento em relação ao ano passado, tem reflexos na estrutura de ensino da instituição.

Ao menos cinco equipamentos de grande porte utilizados em pesquisas nas áreas de física, química, biologia e engenharias estão sem funcionar por falta de verba para manutenção. Um deles era usado para medir a propriedade de partículas e custou US$ 1 milhão (cerca de R$ 3,3 milhões). Professores relatam também problemas com os projetores que são utilizados em sala de aula.

Os valores previstos para a universidade na Lei Orçamentária da União para este ano, que já eram menores que em 2016, sofrem impacto também dos contingenciamentos do governo federal. O balanço até setembro indica que 20% da verba para custeio ainda não chegou. A situação é ainda pior para os investimentos. Dos R$ 27,9 milhões previstos, apenas metade, R$ 13,9 milhões, foi liberada. A expectativa é que o valor chegue ao final do ano bem abaixo do programado.

A verba para investimento é a menor da história da UFABC (veja no gráfico ao lado).
Antes de 2017, o ano com menor orçamento para a área foi 2010, com R$ 31,1 milhões. O auge no investimento foi em 2014, quando se alcançou o valor de R$ 86,3 milhões.

Já o orçamento para custeio neste ano é de R$ 38,2 milhões, verba um pouco menor que a alcançada em 2010. A diferença é que atualmente a universidade possui 14 mil alunos matriculados nas graduações, 10 mil a mais que naquele ano, que registrou 4 mil.

Para sobreviver ao ano de redução de verba, a UFABC implementou uma série de cortes. De acordo com a universidade, houve a suspensão da obra de um novo bloco no campus São Bernardo, que permitiria praticamente dobrar a capacidade de laboratórios e de salas de aula. A construção do bloco anexo no campus Santo André precisou passar por redução de espaços para salas de aula, laboratórios e áreas administrativas. O valor das bolsas vigentes concedidas a alunos foi congelado e a concessão de novas, interrompida.

A UFABC diz também ter reduzido contratos para serviços de limpeza, segurança e manutenção predial e cancelado a zeladoria para suporte operacional a docentes em salas de aula.

‘Futuro da universidade é comprometido com o corte’

A professora e presidente da ADUFABC (Associação dos Docentes da Universidade Federal do ABC), Maria Caramez Carlotto, afirma que desde a aprovação da Lei Orçamentária para este ano a previsão era de dificuldade. “Sabíamos que a verba daria para manter a universidade funcionando até agosto. Mas claro que as portas não são fechadas, o que acontece é a precarização do atendimento.”

Para a docente, os danos do corte de verba têm dupla dimensão. “Não é só o problema da qualidade, mas também o futuro que estamos construindo. O que a gente gostaria de ser fica comprometido. Não teremos prédios com novas salas em São Bernardo, por exemplo. O que a gente vai ver daqui para frente é toda essa estrutura de pesquisa precarizada”, afirmou.

A professora disse acreditar que a missão de ser uma instituição inclusiva também esteja comprometida. “Com o corte de auxílios, muitos estudantes que entraram na cota de escolas públicas não têm como se manter e estão abandonando o curso.”

Por Vanessa Selicani – Metro ABC

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